Os meus 10 mandamentos para um bom design no B2B

Embora tenha a fama (injusta) de ter que ser mais sisuda do que no B2C, a comunicação B2B também precisa de bons lay-outs. Uma empresa pode dirigir-se aos seus clientes empresariais, ao retalho ou a colaboradores sem ter de ser cinzenta, não é verdade? Fique então com o meu decálogo pessoal: 10 dicas para optimizar o seu design:

1 – Inspire-se
Não vale a pena inventar a roda quando ela já foi inventada. Podemos, sim, fazer rodas muito diferentes umas das outras. A inspiração faz-nos crescer. Não copie nunca, mas inspire-se em bons exemplos e use a aprendizagem para tornar o seu trabalho único e pessoal.

2 – A comunicação manda
O lay-out deve estar sempre ao serviço da comunicação. Não deve servir para alimentar o ego mas sim para exponenciar a eficácia da mensagem. Em última análise, e em casos específicos, até se pode considerar que um lay-out deve ser feio se a ideia criativa assim o exigir.

3 – A personalidade da marca
Uma marca é suposta ter uma personalidade. Mesmo que uma ideia de comunicação “peça” um determinado design para a suportar, a personalidade da marca deve ser sempre tida em consideração.

4 – Uma mensagem orientadora
Tal como um head-line se deve focar numa ideia principal (e não em várias), um lay-out deve tender a ter um estilo e uma personalidade única. Exemplificando: se é para ser “anos 70” não deve ser “high-tech”. A mistura de estilos confunde e desvirtua a personalidade.

5 – Clareza antes de tudo
Num lay-out, a tendência do adorno é natural e a riqueza gráfica é uma tentação. Mas atenção: nada deve retirar clareza à mensagem que se pretende transmitir. É bom lembrar que, na maioria dos casos, “less is more”.

6 – Tipografia também é design
O uso dos computadores tem um preço a pagar no que toca ao trabalho tipográfico. Aquilo que dantes requeria alguma arte e destreza manual, hoje faz-se com a maior das facilidades num computador, com as deficiências que uma automatização implica. Se é “profissional do pincel”, não se esqueça de o ser também das letras. Ah, e tente usar apenas duas fontes diferentes (no máximo três).

7 – Não menosprezar a leitura
Para adaptar um anúncio de página inteira para outro de quarto de página, por exemplo, reduzir não basta. As proporções, em regra geral, não podem ser mantidas, pois num espaço mais pequeno cabe menos informação que noutro maior. Isto é particularmente verdade no que diz respeito ao texto que não pode ser demasiado pequeno sob pena de deixar de ter leitura. Se não couber tudo, tem de se cortar conteúdo para se manter legível.

8 – Não se restrinja ao computador
Apesar de ser uma ferramenta fabulosa, o computador pode conduzir a alguma preguiça. Fazer coisas com as mãos e com outras ferramentas pode enriquecer muito um trabalho ao nível do lay-out. O computador é apenas mais uma ferramenta, por mais poderosa que seja, e pode ser complementado por outros meios.

9 – Se está bom, pode ficar melhor
Nunca será demais lembrar a velha máxima “o bom é inimigo do óptimo”. O lay-out está bem e agrada à primeira vista, mas nada garante que um segundo olhar não veja de uma forma diferente. Deixe “repousar” o seu lay-out durante a noite e veja depois com outros olhos. Pode estar bem mas, se pode ficar melhor, não fique pelo caminho. Seja exigente consigo próprio.

10 – Teste os seus lay-outs
A visão de terceiros pode não ser de especialista mas tem uma virtude: é espontânea e não está condicionada. Após horas a trabalhar num lay-out, a sua visão sobre o mesmo está forçosamente viciada e pode faltar-lhe o recuo necessário para uma análise isenta. Pedir opiniões não compromete e pode ser muito útil.

Manuel Caetano
da Hamlet