As escolas de marketing faltaram a esta aula

Perry MarshallHá algum tempo embarquei para Chicago para um curso com Perry Marshall e mais uns quantos gurus do digital.

Para quem lida com marketing online, Perry Marshall não precisa de apresentações. É autor de um best-seller considerado a referência em pay per click. Tem uma audiência de milhares de seguidores, dá palestras em todo o mundo,etc.

Apesar de todas estas credenciais, a minha decisão de pagar muitos dólares pelo curso, mais os custos de viagem e estadia, não foi nada fácil. Nem para mim, nem para quem o organiza: exigiu da parte deles um paciente e sistemático trabalho de persuasão.

Há muitos anos que assino várias newsletters de Perry Marshall. Não as leio sempre, mas quase. E quase sempre trazem conteúdo informativo e útil, que consigo aplicar para mim ou para os meus clientes. Apesar disso nunca lhe tinha comprado nada – mas sabia que mais dia, menos dia, ia acontecer.

Há alguns meses um desses emails contava a história de sucesso de um ex-aluno do curso. Trazia uma entrevista gravada a esse aluno, que descarreguei para ouvir no carro.

Ouvir essa entrevista pôs o curso no meu radar: “isto é para mim, tenho exatamente esse tipo de necessidade”. Mas

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ficaria por aí, se nos dias e semanas seguintes não tivesse recebido uma série de outros emails, todos interessantes, desfiando novos argumentos e convidando para sucessivos webinars com os professores do curso, que iam dando “amostras grátis” do que eu ia aprender se me inscrevesse. Verdadeiras aulas de 70 minutos, mesas redondas com gente muito boa no que faz, e sempre alguns minutos no final dedicados a promover o curso.

Durante um desses webinars a minha resistência caiu. Com a mão a tremer, lá saquei do cartão de crédito e decidi participar.

Já agora, se quer saber sobre que era o curso, clique aqui.

Estava feita a venda, mas eles não pararam: continuaram a mandar conteúdo útil (assim neutralizavam o meu eventual “buyer’s remorse”, ou o remorso do comprador, sempre à espreita numa compra destas) e ainda me tentaram convencer a levar um convidado, pagando metade do preço. O que eu tentei empenhadamente que acontecesse, não só para amortizar o meu custo mas porque por esta altura estava não só persuadido, mas entusiasmado.

Todo esse processo foi necessário para encher uma sala de aula, mesmo tratando-se de gurus do marketing digital com a reputação mais do que feita.

Curiosamente, não vejo ninguém a fazer isto em Portugal. A maior parte da comunicação das nossas escolas de marketing (e quem diz marketing diz o resto) não comunica rigorosamente nada. É uma monótona sucessão de anúncios todos iguais, com pretensos executivos engravatados e sorridentes, a imagem acabada do sucesso de plástico.

Plano de Comunicação InternaSerá que é porque não precisam? Duvido muito. Com o desemprego a grassar, as empresas sufocadas e as perspectivas profissionais em acelerado desaparecimento, não estou a ver que haja uma enchente de candidatos dispostos a pagar os pesados custos das muitas pós-graduações e mestrados anunciados só por verem umas fotos de banco de imagem.

Em casa de ferreiro, já se sabe. Mas não precisava ser assim. Conseguir levar potenciais clientes a uma compra de alto custo e alto risco, como é a formação superior, não é impossível, mesmo com a crise à solta. Desde que se faça marketing a sério.

(Em tempo: é claro que esta forma de atrair e converter clientes, combinando os princípios do marketing direto e de conteúdos com todo o arsenal dos canais digitais, não se aplica apenas, nem principalmente, a quem tem que vender formação. Se quer explorar de que forma um programa desse tipo poderia ajudar a sua empresa a vender os seus produtos e serviços, porquê não marca uma conversa com a Hamlet?)

 

Jayme Kopke

da Hamlet